Estudo identifica potencial de proteínas da saliva do mosquito-palha para prevenir a leishmaniose
Uma pesquisa conduzida por uma equipe internacional liderada por Clarissa Teixeira, integrante do INCT Mucosa e Pele, e Maha Abdeladhim, investigou como a exposição repetida às picadas do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) influencia a resposta imunológica humana e pode contribuir para o desenvolvimento de novas vacinas contra a leishmaniose. O estudo, publicado na revista Communications Biology, do grupo Nature, também contou com a participação do pesquisador Regis Gomes, do INCT Mucosa e Pele.
O estudo identificou duas proteínas presentes na saliva do vetor, LJM19 e LJL143, capazes de ativar mecanismos da imunidade inata e induzir uma resposta do tipo Th1, associada ao controle da infecção por Leishmania. Em voluntários expostos repetidamente às picadas do mosquito-palha, os pesquisadores também observaram uma resposta de hipersensibilidade tardia na pele, caracterizada pela presença de linfócitos T e macrófagos no local da picada. Além disso, os experimentos demonstraram que a proteína LJM19 foi capaz de estimular a eliminação do parasita em macrófagos humanos, inclusive em células de indivíduos sem exposição prévia ao vetor, indicando um potencial efeito imunomodulador que poderá ser explorado em futuras formulações vacinais.
Para Regis Gomes, pesquisador do INCT Mucosa e Pele e um dos autores do estudo, os resultados reforçam o potencial das proteínas da saliva do flebotomíneo como ferramentas para estratégias vacinais. “Identificamos proteínas capazes de estimular uma resposta imune que se correlaciona com a eliminação da Leishmania em macrófagos, evidenciando seu potencial para futuras formulações vacinais”, afirmou.
Os achados ampliam a compreensão sobre a interação entre o mosquito-palha, o parasita e o sistema imunológico humano, contribuindo para a identificação de novos alvos que possam orientar o desenvolvimento de abordagens preventivas contra a leishmaniose, especialmente em populações expostas ao vetor em áreas endêmicas.
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