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Proteína de veneno de jararacuçu pode aumentar eficácia de vacina contra verminose, revela estudo

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Fiocruz Rondônia e da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), com participação de Ricardo Toshio Fujiwara e Juliana Pavan Zuliani, do INCT Mucosa e Pele, mostrou que uma proteína isolada do veneno da serpente jararacuçu (Bothrops jararacussu) pode aumentar a eficácia de uma vacina experimental contra a ascaridíase, verminose causada pelo verme Ascaris lumbricoides, conhecido popularmente como lombriga. Publicado na International Journal of Biological Macromolecules, a pesquisa aponta um novo potencial para moléculas naturais no desenvolvimento de vacinas contra doenças tropicais negligenciadas.

A ascaridíase é uma verminose causada por parasitas do gênero Ascaris e continua sendo um desafio na saúde pública em regiões do mundo. Como vacinas baseadas em proteínas recombinantes dependem de adjuvantes para estimular uma resposta imunológica eficaz, os pesquisadores avaliaram duas lectinas derivadas de venenos de serpentes: a BjcuL, da jararacuçu (Bothrops jararacussu), e a Convulxina (CVX), da cascavel (Crotalus durissus terrificus), incorporadas a uma vacina experimental produzida com a proteína recombinante BOT.

Nos testes em camundongos, a formulação contendo BjcuL reduziu a carga parasitária em 44,34%, enquanto o adjuvante comercial MPLA alcançou redução de 65,68%, já a Convulxina, embora tenha induzido maior produção de anticorpos, não protegeu os animais e esteve associada ao aumento da carga parasitária, demonstrando que uma resposta imune mais intensa nem sempre resulta em proteção. As análises mostraram ainda que a BjcuL induziu uma resposta imune mista dos tipos Th1 e Th2, com aumento de neutrófilos e das citocinas IL-4 e IL-6, perfil associado ao controle da infecção. Os resultados reforçam o potencial dessa lectina como adjuvante vacinal e ajudam a compreender quais mecanismos imunológicos estão relacionados à proteção contra a ascaridíase.

Os autores destacam que novos estudos serão necessários para aprofundar a compreensão dos mecanismos de ação e da segurança da BjcuL antes de uma possível aplicação em vacinas para uso humano. Ainda assim, os resultados mostram que proteínas derivadas de venenos de serpentes podem representar uma fonte promissora de novos adjuvantes, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias vacinais mais eficazes contra helmintíases e outras doenças infecciosas negligenciadas.