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Novo modelo experimental amplia estudos sobre alergia ao amendoim

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com participação de Ana Caetano e Tatiani Maioli, integrantes do comitê gestor do INCT Mucosa e Pele, desenvolveu um novo modelo experimental para o estudo da alergia ao amendoim. Publicada na revista Frontiers in Allergy, a pesquisa utilizou camundongos das linhagens BALB/c e C57BL/6 e reproduziu importantes características imunológicas, inflamatórias e clínicas associadas à doença. O protocolo também permite a comparação direta entre diferentes alergias alimentares, como as provocadas por ovo, leite e camarão, investigadas anteriormente pelo mesmo grupo de pesquisa.

A alergia ao amendoim está entre as formas mais frequentes e potencialmente graves de alergia alimentar, a reação ocorre quando o sistema imunológico reconhece proteínas do alimento como ameaças e desencadeia respostas que podem provocar sintomas como alterações gastrointestinais, urticária, dificuldade respiratória e, em casos mais graves, anafilaxia. Para desenvolver o modelo, os pesquisadores sensibilizaram os animais com injeções subcutâneas de extrato proteico de amendoim associado ao hidróxido de alumínio e em seguida, entre os dias 21 e 35 do experimento, os camundongos receberam extrato integral de amendoim na água de beber, permitindo a ingestão voluntária do alérgeno.

Os resultados mostraram que as duas linhagens desenvolveram níveis elevados de anticorpos IgE e IgG1 específicos contra proteínas do amendoim, marcadores associados à sensibilização alérgica. Os pesquisadores também identificaram alterações inflamatórias na mucosa intestinal, incluindo aumento do número de eosinófilos, células envolvidas nas respostas alérgicas, e de células caliciformes, responsáveis pela produção de muco. Essas alterações demonstram que o modelo reproduz importantes mecanismos observados nas alergias alimentares.

Apesar de ambas as linhagens apresentarem sinais de alergia, foram observadas diferenças nas respostas locais e sistêmicas. Os camundongos C57BL/6 desenvolveram uma reação anafilática sistêmica mais intensa, enquanto os animais BALB/c apresentaram alterações mais evidentes no trânsito gastrointestinal e maior produção de IgA específica contra o amendoim nas fezes. Os resultados reforçam que fatores genéticos podem influenciar a forma como o organismo responde aos alérgenos e ampliam as possibilidades de investigação dos diferentes mecanismos envolvidos na doença.

Um dos diferenciais do protocolo é a utilização da água de beber como forma de administração do alérgeno, em substituição à gavagem repetida, procedimento realizado por meio da introdução de uma sonda no trato gastrointestinal dos animais. Além de reduzir o estresse provocado pela manipulação frequente, a ingestão voluntária permite que o extrato percorra naturalmente o sistema digestório, aproximando o modelo experimental das condições de consumo alimentar.

De acordo com os autores, o novo modelo poderá contribuir para o aprofundamento dos estudos sobre os mecanismos imunológicos da alergia ao amendoim e para a avaliação de possíveis estratégias de prevenção e tratamento. Ao utilizar um protocolo padronizado, a pesquisa também cria condições para comparar as particularidades das respostas desencadeadas por diferentes alimentos, contribuindo para uma compreensão mais ampla das alergias alimentares e de seus efeitos sobre o sistema imunológico e as mucosas.